domingo, 22 de janeiro de 2012

Rumo à Serra do Rio do Rastro

Buenas, pessoal!
Ontem (sábado, 21), o Paulo Augusto e eu resolvemos retardar um pouco a saída para botarmos o sono em dia. Temos acordado cedo e dormido tarde desde o início da viagem, e a subida da Serra do Corvo Branco, na5ª-feira, e do Morro da Igreja, na 6ª-feira, exigiram de nós um grande esforço - principalmente do Augusto, que está esgotado física e mentalmente.
Assim, somente às 08h30min pusemos as bicicletas na estrada.
O que não esperávamos era encontrar, logo no final do perímetro urbano de Urubici (onde pernoitamos), uma subida de 13 km, sem uma "folga" sequer!!! As curvas foram se sucedendo, o vale afundando na paisagem, e nada de chegarmos no topo! A falta de conhecimento prévio daquele aclive tão extenso nos pegou desconcentrados, e posso garantir que isso dificultou em muito a subida.
Bah, daí para a frente a topografia acidentada, as lombas quilométricas, a falta daquilo que chamo de "recurso de acostamento" - lanchonetes, bicas d'água, sombra, postos de combustível -, cobrou seu preço! Nos "arrastamos" na estrada, e demoramos 12 h para completarmos um percurso pequeno se o critério for quilômetros (75), mas terrível se o critério for relevo.
Até porque ao meio-dia desabou um temporal, e ficamos mais de 01 hora na garagem de uma casa, esperando a chuva passar! Em agradecimento pela acolhida da moradora e de seus filhos a dois estranhos montados em bicicletas, presenteei-a com os pacotes de massa pronta que levávamos junto. Foi o único regalo que me ocorreu de dar, pois não levo nada comigo que não seja absolutamente necessário... quem sabe na próxima vez não compro umas canetas, uns isqueiros, para situações como essa? É de se pensar...
Às 16h o Augusto acusou o golpe: diante de uma imensa subida, parou a bicicleta e não conseguiu mais pedalar. Por sorte, estávamos num vilarejo, e um Gatorade, dois mixtos-quentes, uma cocada bem doce e uma boa conversa trouxeram-no de volta à concentração e devolveram-lhe a vontade de continuar.
Graças a Deus, finalmente às 20h chegamos na Pousada Santa Vitória, em Bom Jardim da Serra! Uma ótima janta, e aquela cama quente, limpa e cheirosa, foram o remédio que o Augusto e eu precisávamos para nos recuperar totalmente.
Que dia!
Hoje, então, foi o dia da descida da Serra do Rio do Rastro! Não pode haver emoção maior para um cicloturista!
(conto na próxima postagem)
Bait'abraço a todos!

Algumas fotos.

E aí galera!
A pedido do pai, fiz a seleção de algumas fotos da Serra do Corvo e do Morro da Igreja.

Subida da Serra do Corvo Branco
Penhasco...
Vencedores!
No pé do maior morro sul-brasileiro.
Morro da Igreja. Uma subida dentro da outra. Ao fundo, o radar do CINDACTADenis e Inez no Morro da Igreja. À esquerda a Pedra Furada.


Cascata Véu de Noiva.
Família alemã.


Abraço!

O Morro da Igreja!

Na 6ª-feira passada, após termos vencido um desafio quase intransponível que foi subir a Serra do Corvo Branco de bicicleta, carregados de bagagem (e adoro a palavra "quase" porque, nesta viagem, ainda não descobrimos o nosso limite), o Paulo Augusto e eu acordamos cedo na Pousada Professor Verto, em Urubici - dos fantásticos anfitriões, o Verto e a Sandra -, desafixamos a bagagem das magrelas e nos dirigimos ao Morro da Igreja, o ponto mais alto do sul do Brasil, por onde se chega também pela estrada asfaltada mais alta do Brasil, e que tem, no seu topo, o radar do Sindacta, responsável pelo monitoramento do espaço aéreo nesta região do País.
Que subida! 17 quilômetros morro acima, a cada nova curva uma nova paisagem, uma nova vertente, novos animais, estávamos embasbacados com a beleza do lugar!
E, para nossa sorte, o tempo firme permitiu-nos a quilômetros de distância enxergarmos o topo da montanha, os radares, o alojamento dos soldados da Aeronáutica e - o mais bonito de tudo! -a Pedra Furada, uma imensa formação rochosa centenas de metros abaixo do topo, com um "portal" em seu meio, uma obra de arte que o vento e a água criaram!
Além do mais, tivemos outra vez a agradável companhia do Denis e da Inez, a quem encontramos ontem na Serra do Corvo Branco, com quem fizemos amizade, e que hoje nos brindaram, na chegada no alto do Morro da Igreja, com uma sacola das ameixas vermelhas mais doces que já comemos! Gente de conversa amena, divertidos, espirituosos, nossas gargalhadas se faziam ouvir ao longe...
Conhecemos também um casal de alemães, com seus três filhos, que vieram de carro do Rio de Janeiro atrás das belas paisagens desta região, um casal de curitibanos (com quem almoçamos depois, na Cascata Véu de Noiva, mais o Denis e a Inez), soldados da Aeronáutica de diversos lugares do Brasil... aquele lugar mágico recebe pessoas de todas as origens!
Voltamos às 15h para a Pousada do Professor, convencidos de que, pela subida de ontem, e pelo passeio de hoje, já valeu à pena todo o planejamento, toda a organização e todo o empenho para chegarmos.
Santa Catarina é, sem dúvida, um dos lugares mais bonitos desse nosso Brasil!
Bait'abraço!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

"Avançar é enfrentar desafios e vencê-los"!

Buenas, pessoal!
Usando como título uma frase que lemos em um outdoor na estrada, queremos relatar o dia de hoje, que foi sem dúvida uma das experiências mais marcantes da nossa ainda prematura convivência (afinal, o Augusto tem apenas 14 anos).
Saímos de Grão-Pará às 07h da manhã, após termos dormido no chão de um galpão de posto de gasolina (porque não há hotéis, motéis, pousadas, albergues, nada, na cidade). Uma noite mal dormida em preparação ao dia mais difícil dessa jornada! Só mais um dos tantos temperos desse dia inesquecível...
Tínhamos 30 km de chão batido para percorrer, até o topo da Serra do Corvo Branco. Os primeiros 18, até a localidade de Aiurê, acompanhando o curso do rio. Incontáveis subidas e descidas, numa estrada estreita, pedregosa, movimentada, esburacada... Duas horas depois, iniciamos o segundo trecho, de 12 km.
(Fiz uma pausa no relato, porque por bons minutos tentei organizar os pensamentos para relatar nossa façanha...)
A primeira subida, de 2km, já me fez apear da Caloi e empurrá-la moro acima. Afinal, ela está com 30 kg de bagagem. O Augusto, concentrado, focado, atrevido, subiu pedalando (apesar da bicicleta também bem carregada). Os 6 km seguintes foram de um esforço hercúleo para vencer aclives tão acentuados. Eu nem me abalava: ao ver a estrada sumir, morro acima, em meio às árvores, já descia para empurrá-la novamente. O Augusto bem que tentou continuar pedalando, mas tantas vezes o pneu derrapou na brita solta, que acabou adotando também a minha estratégia.
Já era perto do meio-dia, um lugar exuberante mas sem qualquer recurso, devoramos tudo o que tínhamos nos alforjes (banana, pêssego, mariola, mandolate, bolacha, foi nosso almoço), e chegamos finalmente ao pé da serra. No primeiro aclive da encosta, pela primeira vez vi o Augusto tremer e balbuciar: "Acho que não vai dar". Era a subida mais estúpida que alguém pode imaginar: uma brita miúda, a estrada estreita, de um lado o perau, de outro a pedra, ficamos quase 01 hora parados até ele retomar a concentração e se sentir preparado mentalmente para esse inimaginável desafio!
E aí a paisagem foi se descortinando! Quanto mais subíamos, mais bonitos eram os lugares, mas exuberante a natureza, mais pura a água, o gigantesco esforço para mantermos as bicicletas embicadas era recompensado a cada curva.
Pra se ter uma ideia do que foi esse subida, entramos na encosta da serra às 12h30min e saímos dela às 16h, praticamente 01km por hora. O Augusto beirou à exaustão, e mudamos a tática: eu subia uns 200m empurrando minha bicicleta enquanto ele ficava parado segurando a sua. Então eu descia, trazia a sua para junto da minha enquanto ele se "recuperava". Foi um esforço mental que me lembrou muito a subida dos Andes e o seu grau de dificuldade.
Chegamos em Urubici às 18h, exaustos, combalidos, mas nos sentindo vitoriosos! O Augusto, particularmente, foi um gigante! Estou muito, muito, muito orgulhoso da sua determinação e da sua coragem!
Amanhã vamos tirar os alforjes das bicicletas e subir ao Morro da Igreja, a 1.822m de altitude - o ponto mais alto do sul do Brasil e a estrada asfaltada mais alta do nosso País.
Como prentendemos chegar cedo de volta, prometo postar as fotos. Agora estou muito cansado e preciso ir dormir.
Bait'abraço a todos!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Um dia bem mais difícil...

Oi gente!
Dessa vez eu e o pai enfrentamos o pior dia da viagem.
Primeiro devido ao trecho enfrentado, muitas subidas e descidas. É, pelo visto saímos mesmo do trecho litorâneo e entramos nos "morros". Eles trazem muitas dificuldades (uma hora me faltou o ar e eu e o pai tivemos que parar e esperar na estrada até voltar tudo ao normal) mas se sobressaem as lindas paisagens dos morros e campos catarinenses.
Dessa vez, não conseguimos hotel e tivemos que dormir em um posto logo no início da cidade.
O 'coroa' ficou lá neste posto arrumando a barraca e eu vim para uma lan house contar para vocês como foi o dia.
Fizemos o pior trajeto até hoje, nos abrigamos no pior lugar até agora e iremos para o, segundo o pai, pior percurso amanhã, pois subiremos a Serra do Corvo Branco.
Mas estamos motivados, principalmente por vocês! Vamos hoje dormir bem cedo pra ficarmos descansados.
Agora eu vou sair.
Até amanhã, pessoal! Postarei as fotos de ontem e de hoje.
Abraço!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Santa Catarina sendo desbravada!

Buenas, pessoal!
Estamos começando a nos acostumar com o inconfundível sotaque dos catarinas! Um exemplar acabado desse "espécime" é o recepcionista do Hotel onde estamos hospedados, em Criciúma. Neste momento (22h30min), ele está "cantando" a fala enquanto acolhe mais um hóspede... O Paulo Augusto ficou tão impressionado com a "melodia" da gente desta terra que rapidinho passou a imitá-los. Prá bobagem, a cabeça desses guris funciona numa velocidade que, olha!
O piá já comentou do tombo que levou no acostamento da BR-101. Parado, esqueceu-se da pedaleira e não destravou o pé a tempo. Só ouvi o barulho e já enxerguei uma mistura de alforje, gente, roda, protetor solar, colchonete, tudo no chão. Dá uma nota pro guri... Mas Graças a Deus não se machucou com gravidade, apenas uma batida no ombro que algumas horas depois não incomodava mais.
Não demorou, furou o pneu da bicicleta dele. Aproveitando a proximidade de uma borracharia, já desmontei a roda e consertamos as duas câmaras. Furo no cicloturismo faz parte.
As paisagens do lado catarinense surpreendem: imensos arrozais, verdinhos, cachos de banana pendurados nas fachadas das tendas, subidas e descidas fortes, as montanhas nos acompanhando a oeste, acho até que nos aguardando para o maior desafio da viagem, que é o de subir a Serra do Corvo Branco...
Numa loja de bicicletas muito grande que há aqui em Criciúma (que inclusive patrocina a Equipe Brasileira Juvenil de Ciclismo), soube que essa serra tem 3 km de forte subida em seu início, 5 km alternando subidas e chatos, e os 4 km finais a pique. Alguns ciclistas que já cruzaram esse trecho contaram peripécias para vencerem-no, pois de altissimo grau de dificuldade. Cada vez me convenço mais que a caminhada será a regra, a pedalada a exceção, em função do peso dos alforjes.
Pra quem gosta de estatística, vale lembrar que já percorremos 170 km, e amanhã pretendemos chegar em Grão Pará, cruzando por Urussanga e Braço do Norte. Mais uns 80 km, nessa jornada muito legal pela terra de Anita Garibáldi, de Nereu Ramos, de Hercílio Luz, de tanta gente importante que ajudou a construir a história do Brasil.
Bait'abraço!

Susto, alegria, imprevistos, mas um ótimo segundo dia...

E aí leitores!
Depois de uma curta mas merecida noite de sono, eu (o Petry 'filho') e o Petry 'pai' fomos à estrada. Havíamos feito 40 km, mais ou menos 1 hora de pedal, quando eu, atrás do "coroa", vi que, pela segunda vez na viagem, o pneu dele furou. Meu pai parou na beira da estrada para pedir informaçoes a um homem que roçava às margens da imensa BR-101. Eu, como de costume, parei atrás dele, mas a correia do pedal deixa apenas eu tirar o pé do pedal para trás e eu, "bocaberta", puxei o pé direto para o lado. Foi um tombo inteiro. Caí que nem um, desculpem-me o termo, "saco de farinha" no chão. Sorte minha é que caí no acostamento, então eu pude me levantar sem problema. Ufa! O meu coração parou, e o do meu pai então... Nao quebrou nada na bicicleta, mas o tombo me deu um roxo no braço e uma lição: da próxima vez, tirar o pé da correia antes! Como o borracheiro mais perto estava a 2 ou 3 km, o jeito foi nós mesmos arrumarmos... Pouco tempo depois continuamos a seguir o percurso.
Perto de Criciúma encontramos uma lomba terrível onde tive que usar a marcha mais leve das 21 da bicicleta para conseguir subir. Mas cheguei no topo antes que o veterano que vinha pingando suor (tanto quanto eu) lá atrás.
Contabilizamos um número muito triste: nesses 2 dias de viagem, encontramos 22 animais mortos em atropelamentos na faixa. Passarinhos, gambás, cachorros, sapos...
Já à tardinha, em Criciúma, vimos uma loja de bicicleta como eu nunca tinha visto. Gigantesca e linda. Bicicletas muito caras mas muito boas. Depois encontramos um hotel indicado pelo Maninho, dessa mesma loja. E utitizando a internet muito boa desse hotel, pudemos pôr em dia o blog e as conversas com os amigos de Montenegro pelo MSN.
Amanhã, mais uma grande jornada, até o pé da Serra do Corvo Branco. Desejem-nos sorte. Vamos precisar!
Um grande abraço a todos! (Pra não copiar o do Paulo Renato) rsrsrs.